Hoje eu acordei com algo queimando dentro de mim (e
não era só ressaca).
Algo que dizia que tudo estava fora do lugar, que
meus pensamentos estavam todos bagunçados, que minhas ideias estavam
equivocadas e que uns sentimentos estavam de uma cor escura e indefinida pela
mistura de tudo sem a definição de nada.
E eu não gosto disso, sabe? Eu não gosto de me
sentir um vulcão prestes a explodir na presença de pessoa que não tem nada a
ver com essa confusão que me coloca nesse estado agressivo. Eu não gosto de me
sentir insegura comigo mesma e não gosto de não ter controle da situação. E no
momento perdi o controle até da minha vida. E isso acontece porque o certo a fazer esta em conflito com o
que eu quero fazer e segundo
especialistas isso não é bom. Por gerar um estado de conflito dentro da cabeça
e uma inquietude no coração e é exatamente como me sinto agora.
Resolvi fazer algo a respeito. Eu tenho que fazer
algo, ainda que não siga, ainda que a decisão dure somente hoje, ou com sorte,
até o próximo fim de semana, eu preciso sentir que posso controlar a mim mesma
e por isso resolvi abolir os “se’s” da minha vida.
“E se
não der certo?” “E se eu me magoar?”
“E se eu magoar pessoas que não
merecem ser magoadas?” “E se eu
fizer OUTRA das minha cagadas típicas de novela mexicana?” “E se....”
“E se...” “E se.....” Chega de
“E SE’s”
Se der errado, eu vou saber como concertar. E se
não souber eu vou pedir ajuda. Se eu me magoar não vai ser pior do que já foi
um dia e se for, eu vou saber que estou mais forte que antes. Se eu magoar
pessoa que não merecem eu sentirei por elas terem me conhecido. E se mais uma
cagada típica de drama mexicano acontecer na minha vida, de novo, eu vou
entender exatamente porque me mandaram pro México por um ano.
Chega. Chega de ter medo de arriscar por um futuro
que (#clichê)
não me pertence! Chega de ter medo, chega de não arriscar. Com sentimentos não
se brinca, eu sei, mas viver fugindo deles por medo deveria ser considerado
crime. Talvez o certo a fazer não seja exatamente o que eu queria, mas é o mais
viável, e não somente pelo fato de ser o “correto” não sou a “menininha da
mamãe” nem nunca fui, só que cansei de ter uma vida incerta porque o destino
resolveu brincar com a minha cara. Nunca assisti os filmes de romance pensando
que eu seria uma daquelas mocinhas que esperam o cara que mora do outro lado do
mundo por vinte anos, e não é agora que isso vai mudar. Ainda que quero, não
posso. E meu coração tem que aprender quem manda aqui. Se ele não quiser amar quem me ama e quem é amável
ele vai viver sem experimentar o que é isso. A vida nos tirou o nosso amor, a
pessoa que eu queria do meu lado (incrivelmente) pra sempre e dele alguém que
fosse possível amar sem enjoar, e então veio a distancia riu da nossa cara, e
nos levou do lado sul da America e então ficar lamentando e amaldiçoando a vida
não vai resolver as coisas. Temos, eu e meu coração, que aprender que historias
de amor, assim como contos de fadas, desses livros bons, acabam, e por mais que
você queira ler, uma, duas, três, vezes, você já sabe o final e ainda que o
escritor resolva continuar a saga um dia isso vai chegar ao fim. Talvez esse
seja o primeiro livro apenas da saga que inclui meu amor, mas eu não posso
esperar esse, quem quer que seja, resolver continuar escrevendo nossa historia.
Eu tenho que seguir. E se um dia ele quiser me ter como protagonista desse
romance louco, intenso, dramático e claro, Mexicano, ele vai ter que se virar para
me trazer de volta, já que foi ele que me levou embora uma vez.
Hoje, declaro minha independência desse conto.

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