quarta-feira, 7 de agosto de 2013

CASUAL: milagres de vó.

Bota uma música aí, fecha essa porta, me deixa sozinha que vou vomitar palavras.
Realmente me sentia como se cada passo que eu desse não tivesse nenhum sentido. Tudo ficou meio cinza depois que você começou a fazer parte do meu passado. Ou pelo menos era o plano até meu coração começar a rejeitar. Ele e minha mente fizeram uma parceria e juntos me mutilam com imagens do que a gente viveu. Ela me mostrando como tudo pode ser revivido na minha cabeça nitidamente e ele me demonstrando como é possível reprimir a dor num só lugar e como é possível senti-la fisicamente.
Dor de amor mata sim, viu? Se você que ainda pensa que isso é historia, conto ou exagero então você nunca amou. Ou nunca perdeu um amor. Sorte sua.
Hoje o dia foi longo demais, nada passava, nada dava certo. A mocinha da empresa que eu fiz a entrevista hoje de manhã me ligou e depois de agradecer imensamente me disse que não. Não gosto de receber “nãos” da vida e menos ainda ter que começar a idealizar tudo outra vez porque um plano não deu certo. Me sinto perdida e tudo isso pelo medo de ficar em casa sem ter o que fazer, porque eu, sem criatividade, vou gastar todo esse tempo pensando em você, na gente. Um relacionamento que o destino resolveu separar. Você na ponta norte da America do Sul e eu oito mil milhas para baixo. Sabe? Não é fácil, e nunca vai ser eu sei. Já estava cansada de receber rejeições de todas as ideias que eu tinha para escapar dos momentos em que ficava só porque a solidão aumentava dez vezes. Ou mais.  
Mas parecia que nada estava dando certo.
NADA
Chegou um momento em que resolvi parar. Parar de tentar, deixar de arriscar, esquecer e abrir os braços para a dor. Vai –eu disse- pode me consumir. Mostra-me coração como você arde sentindo a falta dele.
Resolvi desistir de vez, vestir meu pior pijama, e deitar na cama.
Não é fácil pra ninguém” disse uma amiga. E eu repeti suas palavras a minha avó que por azar (dela) passava pela porta do meu quarto nesse mesmo instante e como sempre, com o mesmo otimismo que eu não herdei,  me disse: Calma filha, nada é difícil pra você.
 E eu desejaria mesmo acreditar nela. Ter toda essa confiança em mim, mas não tenho, e depois de ouvir essas palavras tão reconfortantes passaria a noite toda me sentindo péssima por não ser quem as pessoas esperavam que eu fosse. Toda a neura me dominaria se logo após as palavras da minha avó o telefone não tivesse tocado:

-Alô, é você garota? Temos um trabalho para você, interessa?

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