segunda-feira, 5 de agosto de 2013

E então 21
















Eu nunca pensei que crescer fosse tão difícil. Na verdade, nunca pensei que existiria o lado negativo de ser 'gente grande'. 
Quando você é criança e a vida (ou melhor, seus pais) te priva de coisas que você não pode fazer porque 'é criança' o sentimento de 'quero ser grande' começa a preencher o vazio que as vontades não satisfeitas deixam em você e isso te domina de uma maneira que nada te faz parar de desejar essa fase de liberdade. Até você ter 18. E 19. E 20 e as coisas seguirem sendo, vamos dizer, iguais. Claro, você tem liberdade (com intervenções, sempre) mas não tem dinheiro. Nunca o suficiente. E ai você quer um emprego e com ele você ganha responsabilidades, contas, objetivos, metas que exigem de você força de vontade, trabalho e mais trabalho e a falta de tempo, que te priva, mais do que seus pais quando você era criança, de fazer o que você quer.
Com 21 você definitivamente não é mais criança, mas tão pouco se sente o adulto que a vida, a sociedade, o mundo, exigem que você seja. Você sofre de amor. SIM! Você sofre de amor, ainda que negue, você se vê deitado na cama antes de dormir pensando em alguém, porque com essa idade a maioria, pra não dizer todos, já passaram pelo tão conhecido primeiro amor. Ou ainda vivem nele. Ou já passaram dele e agora vivem outros amores, o segundo, talvez o terceiro, quarto. 
Com 21 você já começa a sofrer a pressão de ser cobrado quanto a um relacionamento estável e um futuro idealizado que talvez você nem tenha planejado ainda, ou tenha, só não sabe como alcançá-lo. Talvez suas tias estejam certas sobre você precisar ter um marido, casa e filhos, mas e se você não quiser? Talvez você esteja no ultimo, penúltimo, ou metade da sua faculdade e não esteja, ainda, cem por centro segura de que é isso que você quer ou talvez você simplesmente não sabe o que responder quando as pessoas perguntam: qual teu maior objetivo? Talvez você esteja perdida e não consegue admitir nem pra si mesmo porque o ideal é ter um foco, e nele deve existir uma figura do sexo oposto, uma casa, filhos e uma profissão. Um emprego e claro, um carro. Essa seria a vida "ideal" e é por esse estereótipo que muitas pessoas "inventam" um objetivo de vida "ideal" para fugir dos olhares incriminadores das pessoas quando você responde a pergunta acima com um simples "não sei ainda".

Como não sabe ainda? Porque não sabe ainda? Você já tem 21! Como se 21 fosse a idade crucial para se tomar a decisão mais difícil da sua vida! Como se com 21 sua mente já estivesse completamente resolvida e em completo acordo com seu coração sobre o que quer e onde deve ir. Não! A vida não é assim pra vocês que tem mais de 21 e pensam que nós temos que ter certezas na vida com essa idade. Idade não define ninguém e eu particularmente acredito que decisões com relação a um futuro não devem ser tomadas sem a mais pura certeza do que a gente quer, e com 21 anos, é bem difícil sentir-se seguro disso.

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