terça-feira, 20 de agosto de 2013

Pra "Sempre"






Eu não gosto dessa palavra. Não gosto do som dela na boca das pessoas e nem do efeito que ela causa. Eu não gosto de como ela ilude os apaixonados, e de como carrega-la é um fardo tão grande que muitas pessoas não sentem até agarrá-la com força e tentar segurá-la e depois vê-la escapar por entre os dedos como um passarinho selvagem recém preso acaba de sair da gaiola.
Ela carrega em si,  sorriso de quem a ouve e as lágrimas de quem acredita que ela realmente tem o poder de manter a pessoa amada ao lado por um tempo tão longo a ponto de não ser possível ver o final. Ou dar de presente um estado de ânimo que dura um tempo inexistente.
Eu não gosto dessa palavra pelo comprometimento que ela te faz responsável. Pelas restrições que ela te traz e pelas oportunidades que ela tira de você.
A oportunidade de poder escolher um outro caminho mais para frente, de poder pegar um atalho na estrada desconhecida que você ainda vai percorrer e descobrir, de poder dar a mão pra pessoas novas que vão tirar melhores e mais gostosos sorrisos de você e vão te ensinar coisas novas.
Não gosto das noites de choro, da dor de ser decepcionado e do medo estampado nos olhos das pessoas que um dia acreditaram que por ouvir um "sempre" nunca não teriam que ouvir um adeus.
Mas essa outra palavra, o "adeus", ao contrário do "sempre" é sincera. Ela realmente expressa algo que passa no único momento que você pode controlar: o presente.
Ela diz, com educação, e as vezes sem, que já se vai. Que chegou a hora de pegar o atalho, talvez um caminho mais estreito onde não cabem dois ou mais. Ela te diz que a gaiola se abriu e o passáro já se vai. Ela reflete a liberdade de quem precisa voar e não vai ficar por nada. Ela deixa lágrimas também, claro. Ela magoa, ela machuca, talvez até mais que qualquer outra palavra mas ela nunca mente.
Ela pode sim ter sido influenciada por outros meios, como a maldita distancia, como o sofrimento, como a dor de não aguentar mais ficar, mas em momento nenhum ela te promete algo que não pode cumprir. Ela simplesmente te avisa que já se vai.
Das duas não posso dizer qual te faz chorar mais. Creio, e me atrevo a afirmar que as duas te causa as piores dores que você pode sentir. A diferença é que o "Adeus" te despede, te deixa chorando, e vai. Sem prometer-te nada que te faça sofrer. Já o "Sempre" te faz sorrir somente pelo gostinho de ver o sorriso ser substituído pelo choro quando ela mostrar seu verdadeiro rosto.
Na verdade, as duas andam de mãos dadas. O "Adeus" como um pai concertando o que o "Sempre" causou. Trazendo os iludidos a difícil realidade de que o tempo não pertence a ninguém. Menos ainda a uma inútil palavra.

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