Um dia você, com certeza, vai parar o seu maldito dia
corrido e sem espaço pra ninguém a não ser você mesmo, por sentir algo pesado
no seu coração e ai vai perceber o quão idiota você foi por deixa-la escapar.
Talvez isso não aconteça agora, nem amanha, ou semana que
vem. Muito menos nos seus fins de semana preciosos e indispensáveis. Mas lá na
frente, no futuro que ela sempre planejou sozinha, você vai notar o buraco
vazio que a ausência dela vai te trazer.
Um dia, sabe-se lá quando, o sol vai brilhar mais fraco pra você
e os domingos já não serão mais fáceis de suportar e ai você valorizará as
pizzas que compartilhavam. Quando você já não aguentar comê-las todas sozinho.
Um dia a vida começará a cobrar de você a parte essencial de
ter um par. Porque assim funciona o ciclo, por mais que você tente negá-lo ou evita-lo,
um dia a sua masculinidade exigirá um ser mais delicado pra cuidar, alguém por
quem voltar pra casa, ou um rosto amassado pra ver ao acordar, e ai você vai
lembrar dela.
Vai lembrar no quanto você gostava do rosto emburrado de ciúmes
que ela fazia. E da voz ardida quando ela gritava. Vai lembrar-se de como ela
se arrumava pra te esperar e vai perceber o tamanho do idiota que você foi por não
valorizá-la. Por não elogiá-la. E não mantê-la do seu lado. Você vai buscar nos
arquivos guardados na sua mente os motivos que te fizeram deixa-la ir e todos
parecerão estúpidos demais. Pequenos demais perto do especial que ela era pra você.
Na época.
Talvez você não se sinta o idiota que você é, hoje. Mas
nesse dia que o mundo mostrar pra você que na vida ninguém é feliz sozinho você
vai se arrepender por ter permitido que a aliança com seu nome saísse das mãos
que deveriam estar, hoje, segurando as suas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário