Não via a hora de chegar em
casa e tirar aquela roupa apertada! Ingênua, o aperto nem tinha começado…
O quarto todo bagunçado,
roupas por todos os lados, maquiagem, ursos, e toda aquela mistura de coisas
que a algumas horas atrás eram ignoradas por uma ansiosidade enorme!
A oportunidade de voltar a
ser a garota que era pareceu dá-lhe forças para abaixar a guarda e enfrentar o
mundo depois de tanto tempo. Como um animal ferido voltando à selva depois de
uma longa recuperação em cativeiro. O problema é que ela não se sentia
completamente curada. Na verdade, ela não sentia nenhuma melhora. A força de
tentar esquecer veio quando, ao se olhar no espelho não se encontrou e o
orgulho, ou o resto dele, a obrigou a tentar de novo.
Ela cedeu. Precisava ir,
precisava provar a ela mesma, mais que a todos, que podia suportar perdas.
Aceitar que conviver com elas faz parte da vida, ou não?
Mas ninguém disse que ia
ser tão difícil. Sem mais pensar, agarrou a bolsa, e o celular ficou em casa, colocou seu melhor sorriso e foi.
A noite começou e, como se
após um milhão de anos depois, acabou.
Tudo quase bem afinal. Tantas histórias e tantas risadas… Encheu a cara, encheu mesmo, e por horas
esqueceu que algo dentro dela estava faltando. Ela quase conseguiu! Sei lá, estava bem, claro que
estava, se sentindo a rainha da festa, coitada, mal sabia que não reinava sobre
ela mesma!
Lugar bonito, e ela pensando em outro cantinho! Música boa, e dentro
dela tocando a musica deles! Comidas e bebidas e aquele vazio dentro do coração tirando toda vontade de qualquer coisa! Garotos bonitos, muitos deles, mas em
todos os rostos ela via um só… o rosto daquele que ela não encontrou ao chegar
em casa! Dono da voz que ela não ouviu antes de dormir… de quem a fez
feliz e agora a faz sentir a pessoa MAIS solitária do mundo…. Ela tentou pelo menos. Mas o problema de tentar, é que o coração não te deixa escolhas a respeito do que você sente. Esquecer é como passar da conta com a bebida, no outro dia tudo fica um pouco pior.
E
mesmo depois de tirar todas as roupas, agora largas perto do sufoco que ela
estava sentindo, deitou sobre toda aquela bagunça toda, e deixou seu coração tirar a
máscara de “super menina” e chorar todas as suas dores.

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