terça-feira, 5 de agosto de 2014

Guerreiros


Talvez eu não seja a pessoa mais indicada para falar sobre defeitos e qualidades. Talvez eu nem saiba diferenciá-los. Talvez eu realmente não mereça os amigos que tenho e os amores que vivi. Talvez eu seja apenas uma mistura de tudo com nada, bem colorido e ao mesmo tempo sem cor.
Talvez eu realmente não saiba valorizar as pessoas boas,  e isso acontece pelo fato de eu não conseguir ver a maldade nas pessoas ruins. Não estou falando que em mim existe aquela inocência de achar que todo mundo é bom, não é isso, mas o fato de já ter aceitado pessoas “Ruins” na minha vida e ter visto a “mudança” pela qual elas se submeteram, faz com que eu acredite que qualquer defeito pode ser visto de outra forma e que qualquer erro pode ser concertado. Sim eu sou mesmo da cor da esperança e talvez esse seja meu maior defeito.
Mas eu não sou uma pessoa boa, não eu não sou. Eu sou ruin mesmo e não me orgulho disso. Sou uma má amiga, das que esquece datas importantes e fica com preguiça de ligar no dia do aniversário. Daquelas que fica meses sem ir visitar os amigos e aquela que já ignorou mensagens por falta de vontade de responder. Sim eu sou assim mesmo, poxa! Já menti, uta como já menti e a maioria das vezes foi para proteger a mim mesma, talvez foi mais para enganar a mim mesma porque vocês, meus amigos, vocês me conhecem bem antes de eu abrir a boca.
Eu também sou uma péssima namorada, eu não consigo me abrir, eu sou um poço fechado e vazio, e eu também sinto preguiça de sentir sentimentos. Vai entender. Essa coisa de olhos brilhantes, e borboletas no estomago já me pegou sim, e como já, mas hoje em dia, tudo se tornou historia e talvez essa seja a resposta do meu coração pra tantas decepções que ele já viveu. Longe de isso ser uma desculpa para toda a ‘filhadaputagem’ que eu já aprontei, não, não mesmo, mas realmente meu coração já deve ter cansado de “amar-aceitar-acalmar-enjoar-terminar-recomeçar-amar..... “ esse ciclo que já recomeçou tantas vezes.  Talvez eu queira ser surpreendida ou queira aprender a viver sem amor, não sei, não sei ainda.
E também não sou boa neta, nem boa filha, nem boa irmã, não eu não sou. Eu não ligo, eu não respondo aos “Vai com Deus” e nem peço bênçãos pra ninguém. Não sei, não sai, não vai, não funciona, mas no fundo no fundo eu sei que eu me importo, eu só não demonstro e esse pode ser meu maior erro. Talvez eu queira demonstrar, ou melhor: talvez eu CONSIGA demonstrar quando seja tarde demais, mas infelizmente esse também é um dos meus maiores erros: perceber tarde como eu tenho sido idiota. E continuar assim.
Eu realmente sou esse mar de ilusões pra que me ama e não são poucos esses. Por incrível que pareça eu tenho muitos a minha volta que permitem ter esse pontinho confuso (que sou eu) em seus corações e felizmente eles me amam exatamente assim, vai entender.Há loucos pra tudo.
Eles brigam comigo quando se cansam de mim, e depois me perdoam quando percebem que eu estou arrependida porque sim eu me arrependo, eu sei fazer isso, e como sei! Eles me abraçam quando eu preciso ainda que eu não peça e estão perto quando eu quero que eles estejam. Talvez eu nem corresponda ao amor que eles sentem por mim, e a culpa realmente não é minha porque eu tento, eu juro que eu tento, mas as vezes eu simplesmente não sinto, nada, nem um sentimento sequer. E em cada abraço apertado que eu recebo minha mente fica convencendo meu coração de que esses braços ao redor de mim merecem amor, merecem pelo menos um terço do que eles me dão, e enquanto toda essa loucura acontece ao meu redor, esses malucos estão ai, me amando cada dia mais.


Idiotas? Não, esse é o meu papel, eles são apenas guerreiros.  Guerreiros que eu desejaria amar com a vida e que eu protegeria até a morte porque eu sei, por menos que demonstro, o valor de cada um pra mim. Um valor realmente alto que eu procuro deixar bem escondido, por medo da vida levar e presentear a um outro alguém que mereça-os mais do que eu. E toda vez que alguém me pergunta se eu não tenho medo de perdê-los eu respondo que não. Mas a verdade é que eu já tive, já tive sim, e muito ainda, só que o meu segredo é que se um dia eles deixarem de me amar, eu vou lhes fazer a pergunta que sustenta minha maior duvida: “O motivo pelo qual eles sempre me amaram” e a resposta deles, que eu não tenho nem ideia de qual seja, poderá fazer com que eles se lembrem das razões pelas quais devem permanecer comigo, e talvez isso faça eles ficarem, e Deus queira que seja pra sempre.

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